O governo lançou um vídeo nas redes sociais (perfil do instagram @govbr), há alguns dias (29/01/2026), falando sobre o cão Orelha, o cão comunitário da Praia Brava, em Santa Catarina, que foi espancado até a morte por adolescentes. No vídeo, o órgão governamental fala sobre e as grandes ações federais a favor dos animais e sobre o papel da sociedade civil na solução desse problema… (link do vídeo abaixo)
https://www.instagram.com/reel/DUEZY5vEtIp/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Mas acho que o governo não percebeu que Orelha foi só mais um…
Que já teve a enfermeira de Formosa, que espancou seu york shire até a morte, em 2011… A suposta protetora, que era, na verdade, “Serial Killer de Animais” de 2012 a 2018. O abandono dos Búfalos de Brotas, em 2021. A mulher de Maringá que foi filmada dando marteladas em um cachorro, fazendo ele perder um olho, em 2024… A cadela Belinha, de 8 meses, que foi espancada com uma vassoura na varanda de seu apartamento no RJ, em janeiro de 2025 e o cavalo que teve as patas decepadas pelo seu responsável, em agosto de 2025 (menos de 6 meses antes do caso Orelha).
Sabe o que todos esses casos tem em comum? A CERTEZA DA IMPUNIDADE OU DE PUNIÇÕES LEVES.
Porque o cão Orelha não é o único:
O Brasil coleciona casos de extrema crueldade animal e já é comprovado e aceito, MUNDIALMENTE, o link entre a prática de violência contra animais e prática de violência doméstica ou contra pessoas vulneráveis (pra quem não conhece, Pesquise sobre a “Teoria do Elo”).
Os órgãos e poderes governamentais tem delegado desde sempre, a responsabilidade sobre o bem estar de animais domésticos à sociedade civil. Nesse vídeo, por exemplo, eles destacam “incentivo à adoção responsável” como uma “ação do governo”. Mas a sociedade não precisaria estar adotando, se não houvessem animais nas ruas. E não haveriam animais nas ruas, se houvessem medidas DURAS para:
- criminosos que não castram suas cadelas e abandonam os filhotes recém nascidos
- criadores clandestinos que mantém os cães em situação deplorável e os abandonam quando não reproduzem mais
- pessoas que abandonam seus cães porque se mudaram ou porque eles “são muito desobedientes”, “muito difíceis”, “fazem muita sujeira”…
O vídeo fala que “eles (os cães) não foram feitos para sofrer e “a sociedade não pode se acostumar com isso“… Ué! Mas a sociedade nunca se acostumou… Na verdade, a sociedade vem exigindo ações, há muito tempo! A sociedade inclusive já faz mais do que devia e mais do que o poder público fez, na história do Brasil! Pelo cão Orelha e por todos os outros animais domésticos em situação de vulnerabilidade! É a sociedade que: resgata, paga cirurgia, tratamento, internação (tudo do próprio bolso), dá lar temporário, adota ou arruma adoção, cuida. Ate o fim.
Já o governo… Finge que não ouve. Finge não vê. Finge que não sabe…
Alias.. Que audácia, o governo usar o caso do cão Orelha para cobrar alguma coisa da sociedade civil, que é a única parte dessa equação que tem feito o seu papel direito. Caro governo, infelizmente, a sociedade civil não tem o poder e nem a capacidade de resolver um problema Nacional. Um problema que não é apenas social. É econômico.
Quem tem o poder de resolver são (olha que ironia) OS PODERES. E o próprio PODER executivo, que lançou esse vídeo não tem feito NADA! Assim como e legislativo e o Judiciário. Assim como estados e municípios.
A cobrança deveria estar sendo direcionada aos próprios órgãos governamentais e não à sociedade civil.
- O Judiciário é que não pode deixar crimes impunes!
- O legislativo é que precisa criminalizar e determinar punições severas para esses crimes.
- O executivo é que precisa criar programas efetivos.
Ah, mas o vídeo mostra o QUANTO o governo está atuando…
A atuação do governo para evitar tragédias como a do cão Orelha:
“Sinpatinhas” (mencionado no vídeo) é um programa de coleta de dados (não é resolução de problema) e a adesão ao programa não é obrigatória nem pra estados, nem pra municípios, nem para profissionais da veterinária e nem pra ONGS e adotantes. O programa não determina obrigatoriedade de microchipagem (e obviamente não determina recursos para esse fim), sendo que todos nós sabemos da importância do microchip para o rastreio de criminosos que abandonam e maltratam animais.
E o “Julho Dourado”, do qual o governo tanto se orgulha? É só um monte de seminários, palestras e atividades de conscientização (novamente, não é ação. é só bláblábá pra delegar tudo, novamente pra sociedade civil)…
A sociedade não precisa de “conscientização”.
Todos nós sabemos que é crime roubar e matar. Então não deveria mais existir roubo e homicídio, certo? Óbvio que não funciona assim. A causa do crime não é falta de conscientização. É a falha do caráter humano e a falha no uso das ferramentas (tanto do legislativo, quanto do executivo e do judiciário).
O cão Orelha não foi morto porque faltou informação aos seus algozes. Eles sabiam e todos nós sabemos que maus tratos é crime. Que a crueldade contra animais é moralmente errada. Não falta conhecimento sobre esse fato. O que falta é RESPONSABILIZAÇÃO. Não apenas de quem comete os crimes mas também de quem deveria proporcionar ambiente seguro para a existência dos animais.
O que o resto do mundo está fazendo pra resolver o problema?
Ao redor do mundo, já existem DIVERSAS AÇÕES, políticas públicas, incentivos e ferramentas para estados e municípios lidarem com a questão do abandono e dos maus tratos aos animais. Algumas delas são:
- Obrigatoriedade de leitores de microchip a todos os profissionais que trabalham com animais, juntamente com a obrigatoriedade de microchipagem a todos os animais domésticos, sem exceção, e cadastro dos animais e seus responsáveis em banco de dados nacional. Todos os animais que são atendidos em clínicas ou em casa (pela rede pública ou privada) devem ser microchipados, a identidade do responsável deve ser checada, os dados devem ser confirmados. Caso não hajam dados sobre o animal ou o responsável, no sistema, deve ser cadastrado e reportado, para a posterior microchipagem do animal. O governo deve fornecer microchips a quem não tem condições de pagar. Assim, o Sinpatinhas funcionaria pra alguma coisa.
- Alimentação e atendimento veterinário gratuito ou com preços simbólicos, para adotantes de cães devidamente registrados no sistema.
- Incentivos para cadastros de lares temporários: cadastro de famílias (sem antecedentes criminais) e instituições que desejam acolher animais resgatados. Além de todo o suporte para quando a família ou a instituição não puder mais acolher ou cuidar (como a realocação do animal).
- Leis que proíbam criminosos violentos EX DETENTOS de terem a guarda de animais sob pena de reclusão (cadeia), caso sejam flagrados com a posse de um animal.
- Manejo populacional em escala: o município captura, esteriliza, vacina, vermifuga, tira da crise e leva para os lares temporários cadastrados.
- Santuários: assim como existem zoológicos, algumas instituições podem se tornar centros de educação, ressocialização de animais e capacitação de tutores (onde as famílias cadastradas aprendem a cuidar de ferimentos, dar continuidade aos tratamentos, educar e ressocializar os animais, além de aprenderem a utilizar as ferramentas públicas). Os santuários podem participar de programas nacionais: receber visitas escolares, os cães podem visitar escolas, asilos, instituições que cuidam de dependentes químicos, de pacientes de clínicas psiquiátricas e até participarem da ressocialização de criminosos não violentos, podendo ser adotados por eles, depois de cumprirem sua pena. Os cães podem ser “emprestados por um dia” para passeios com pessoas cadastradas e sem antecedentes criminais.
- Leis, cadastros e fiscalização de criadores: Assim como a vigilância sanitária fiscaliza qualquer criação de animais pra consumo, o ibama ou algum outro órgão precisa fiscalizar, orientar, autuar e, se for necessário, denunciar criadores. Criadores devem ser obrigados a inscrever todos os cães no programa de cadastro nacional e microchipagem. TODOS OS FILHOTES devem receber microchip e os novos tutores devem ser cadastros. Deve haver um processo para solicitação de “Licença para reprodução de animais” que dependa de avaliação técnica do espaço, por um perito, com obrigatoriedades de infraestrutura mínima, veterinários cadastrados e limite de cães por área e/ou número de funcionários (tal qual uma escola). Devem haver multas e pena para criadores clandestinos (não cadastrados). Esses devem ser considerados criminosos e devem ser punidos com o rigor da lei, quando pegos atuando sem licença.
veja também: CRIAÇÃO DE CÃES DE RAÇA – RISCOS E CUSTOS E RESPONSABILIDADES
O governo do Brasil precisa assumir que NÃO ATUA na proteção dos animais e começar a tomar ações CONCRETAS, assim como já está acontecendo há muito tempo, no resto do mundo.
Se você concorda, compartilha esse post e deixa um comentário. Vamos pressionar o nosso governo a agira, de uma vez por todas! O cão Orelha não será só mais um nas estatísticas.

















